Idoso com cabelos e barba grisalhos, afasta os óculos de grau dos olhos demonstrando dificuldade de visão.

Degeneração Macular: a ameaça à visão central.

A Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) é uma condição médica oftalmológica que representa a principal causa de perda irreversível da visão central em pessoas com mais de 60 anos em todo o mundo. Para compreendê-la, é fundamental primeiro entender o que é a mácula. 

A mácula é uma pequena área, com cerca de 5 a 6 milímetros de diâmetro, localizada no centro da retina, na parte posterior do olho. Ela é responsável pela visão central fina e detalhada, essencial para atividades como a leitura, o reconhecimento de rostos, a costura e a condução de veículos. 

A Degeneração Macular é, portanto, uma doença que afeta especificamente esta região fundamental, a mácula, poupando a visão periférica, mas comprometendo severamente a capacidade de enxergar com clareza o que está diretamente à nossa frente.

Causas e fatores de risco de DMRI

A DMRI é uma doença multifatorial, cuja causa exata ainda não é totalmente compreendida. O principal fator de risco é a idade. Acredita-se que, com o envelhecimento, ocorram processos degenerativos nos fotorreceptores (células sensíveis à luz) da mácula e no Epitélio Pigmentado da Retina (EPR), uma camada de células que nutre e dá suporte aos fotorreceptores.

Outros fatores de risco significativos incluem:

  • Histórico Familiar e Genética: a predisposição genética é um componente forte. Pessoas com parentes de primeiro grau com DMRI têm um risco consideravelmente aumentado de desenvolver a doença.
  • Etnia: é mais comum que a Degeneração Macular ocorra em indivíduos de pele clara e ascendência europeia.
  • Tabagismo: este é, talvez, o fator de risco modificável mais importante. Fumar duplica ou até quadruplica o risco de desenvolver DMRI, pois promove estresse oxidativo e danifica os vasos sanguíneos da retina.
Mulher acendendo um cigarro. Uma das causas da degeneração macular é o tabagismo.
  • Exposição à Luz Solar: a exposição cumulativa à luz ultravioleta (UV) e à luz azul ao longo da vida pode contribuir para os danos oxidativos na mácula.
  • Obesidade e Dieta: uma dieta pobre em antioxidantes, vitaminas e minerais pode acelerar o processo degenerativo.
  • Hipertensão Arterial e Doenças Cardiovasculares: problemas circulatórios podem afetar a irrigação sanguínea da retina.

Tipos de Degeneração Macular Relacionada à Idade

A DMRI é classificada em duas formas principais, que diferem em sua apresentação, progressão e tratamento:

1) DMRI Seca (ou Não-Exsudativa): esta é a forma mais comum, representando cerca de 85% a 90% dos casos. Caracteriza-se por uma progressão lenta e gradual.

O processo central é o acúmulo de depósitos amarelados sob a retina, chamados de drusas. Com o tempo, estas aumentam em tamanho e quantidade, levando a um afinamento e atrofia das camadas da mácula. As células fotorreceptoras morrem e não se regeneram.

A perda de visão na forma seca é geralmente lenta e progressiva. Os sintomas iniciais podem incluir dificuldade para ler, necessidade de luz mais forte e uma leve distorção das imagens.

2) DMRI Úmida (ou Exsudativa): é a forma menos comum (10-15% dos casos), mas é responsável pela grande maioria dos casos de cegueira legal causada pela doença. Caracteriza-se por uma progressão rápida e agressiva.

O mecanismo principal é o crescimento de novos vasos sanguíneos anormais (neovasos) sob a retina, em direção à mácula. Estes são frágeis e permitem o vazamento de fluidos, proteínas e sangue (exsudatos e hemorragias). Tal processo danifica rapidamente os fotorreceptores e causa uma cicatriz (fibrose) macular.

Os sintomas são mais dramáticos e incluem metamorfopsia (distorção acentuada das linhas retas), mancha central fixa (escotoma) e queda súbita da acuidade visual.

Sintomas e diagnóstico da patologia

Os sintomas mais comuns, além dos já mencionados, são a dificuldade de adaptação a ambientes escuros e a alteração na percepção das cores. O diagnóstico é feito pelo oftalmologista por meio do exame de fundo de olho. 

No entanto, para confirmar e estadiar a doença, exames complementares são essenciais, como a Tomografia de Coerência Óptica (OCT), que fornece imagens de corte transversal detalhadas da retina, e a Angiografia com Fluoresceína ou Verde de Indocianina, que identifica a presença e a localização dos vasos anormais na forma úmida.

Tratamento e prevenção da Degeneração Macular

Infelizmente, não há cura para a DMRI, mas há opções para retardar sua progressão e, no caso da forma úmida, estabilizar ou até melhorar a visão.

Para a DMRI Seca: o foco está na modificação do estilo de vida. Estudos como o AREDS (Age-Related Eye Disease Study) demonstraram que suplementos específicos com altas doses de vitamina C, vitamina E, zinco, cobre e luteína/zeaxantina podem reduzir o risco de progressão para estágios avançados em pacientes de alto risco. Uma dieta rica em folhas verdes escuras e peixes gordurosos (ricos em ômega-3) é benéfica.

Para a DMRI Úmida: o tratamento padrão-ouro são as injeções intraoculares de antiangiogênicos. Estes medicamentos são injetados diretamente no olho para inibir o crescimento dos vasos anormais e reduzir o vazamento. O tratamento é contínuo e requer aplicações regulares para manter a estabilidade. Em casos selecionados, pode-se usar a Terapia Fotodinâmica (PDT).

A prevenção passa pelo controle dos fatores de risco: não fumar, adotar uma dieta saudável, proteger os olhos dos raios UV com óculos escuros, controlar a pressão arterial e realizar exames oftalmológicos regulares, especialmente a partir dos 50 anos. 

Estrutura do globo ocular. À direita, vê-se a retina e a mácula - área prejudicada pela degeneração macular.

Em resumo, a Degeneração Macular é uma doença crônica e debilitante que afeta o centro da nossa visão. Embora não tenha cura, o diagnóstico precoce e os avanços no tratamento, especialmente para a forma úmida, oferecem esperança na preservação da qualidade de vida e da independência de milhões de pessoas.

Sistema de Oftalmologia Integrada em Porto Alegre     

O Sistema de Oftalmologia Integrada, fundado em 16 de janeiro de 2012, é uma Rede de Clínicas voltada exclusivamente à saúde ocular da população.

Nosso esforço é voltado a prestar um atendimento integral baseado em quatro pilares: prevenção, diagnósticos precisos, tratamentos clínicos e cirúrgicos resolutivos.

Atualmente, a Oftalmologia Integrada atende em três grandes polos de saúde, Serra Gaúcha, Porto Alegre e Região Metropolitana, promovendo de modo sustentável e inovador a gestão de recursos na assistência oftalmológica.

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