O glaucoma é uma doença ocular grave, caracterizada principalmente pelo aumento da pressão intraocular (PIO), que danifica o nervo óptico e pode levar à perda irreversível da visão. Um dos sintomas que pode acompanhar algumas formas da condição são os olhos vermelhos.
Muitas pessoas, em razão da vermelhidão ocular, recorrem ao uso de medicações tópicas. No entanto, a automedicação com colírios vasoconstritores – os populares “colírios para clarear os olhos” – é uma prática extremamente perigosa e contraindicada para pacientes com glaucoma ou com suspeita da doença.
Sim, a automedicação é extremamente perigosa, ainda mais quando estamos falando sobre o uso indiscriminado de remédios oculares, o que pode levar até mesmo à cegueira. Entender o porquê disso exige um mergulho na fisiologia do olho e nos mecanismos do glaucoma.
O mecanismo enganoso dos colírios vasoconstritores para olhos vermelhos
Os colírios para olhos vermelhos funcionam por meio de princípios ativos como a nafazolina ou a tetrizolina. Eles são vasoconstritores, ou seja, causam a constrição (estreitamento) dos pequenos vasos sanguíneos da conjuntiva – a membrana transparente que cobre a parte branca do olho. Ao reduzir o calibre dos mesmos, o fluxo sanguíneo diminui e a vermelhidão, que nada mais é do que vasos dilatados e congestionados, aparentemente desaparece.
Contudo, esse alívio é temporário e ilusório. Após o efeito passar, pode ocorrer um efeito rebote: os vasos sanguíneos se dilatam novamente, muitas vezes de forma ainda mais acentuada, piorando a vermelhidão original e criando um ciclo vicioso de dependência do colírio. Entretanto, o perigo real para os glaucomatosos vai muito além da simples estética.
O perigo para pacientes com Glaucoma de Ângulo Fechado
O risco mais imediato e grave, referente à automedicação, está associado ao Glaucoma de Ângulo Fechado. Nesta forma da doença, a estrutura de drenagem do olho (o ângulo iridocorneal) é anatomicamente estreita. Muitos colírios vasoconstritores têm um efeito secundário de dilatar a pupila (midríase).

Quando a pupila se dilata, a íris (a parte colorida do olho) pode se “enrugar” e bloquear ainda mais o já estreito ângulo de drenagem. Isso pode precipitar uma crise aguda de Glaucoma de Ângulo Fechado, uma emergência médica caracterizada por um aumento súbito e severo da pressão intraocular.
Os sintomas da condição incluem dor ocular intensa, visão embaçada, halos ao redor das luzes, dor de cabeça, náusea e vômito. Sem tratamento urgente para reduzir a pressão, uma crise como essa pode causar danos permanentes ao nervo óptico em poucas horas.
Riscos no Glaucoma de Ângulo Aberto
Mesmo na forma mais comum, o Glaucoma de Ângulo Aberto, o uso desses colírios é desaconselhado. Primeiro, eles mascaram um sintoma importante. A vermelhidão pode ser um sinal de que a pressão ocular está elevada, de que há uma inflamação ou que o tratamento atual para a condição não está sendo eficaz. Ao “esconder” esse sinal, o paciente pode adiar a busca por ajuda médica, permitindo que a doença progrida silenciosamente.
Em segundo lugar, a composição desses colírios muitas vezes contém conservantes, como o cloreto de benzalcônio, que podem ser tóxicos para a superfície ocular. Pacientes com Glaucoma já usam colírios crônicos para controlar a pressão, o que por si só pode causar irritação e olho seco. A adição de outro colírio com conservantes agrava esse problema, comprometendo a saúde da superfície ocular e a adesão ao tratamento principal.
A alternativa segura: a consulta com o oftalmologista.
A mensagem fundamental é clara: pacientes com diagnóstico de Glaucoma ou com histórico familiar da doença nunca devem usar qualquer colírio sem prescrição e supervisão médica.
Se um paciente com Glaucoma apresenta olhos vermelhos, a conduta correta é:
- Entrar em contato imediatamente com o oftalmologista;
- Nunca interromper o uso da medicação antiglaucomatosa prescrita;
- Identificar a causa da vermelhidão, que pode ser desde uma simples irritação ou olho seco até um aumento da PIO ou uma inflamação intraocular (uveíte).
O médico irá investigar a causa e prescrever o tratamento adequado, que pode incluir colírios lubrificantes sem conservantes, anti-inflamatórios seguros ou o ajuste da medicação para Glaucoma. A saúde ocular, especialmente quando se lida com uma doença silenciosa e potencialmente cegante como esta, não admite improvisos. A automedicação, nesse contexto, é um risco que ninguém pode correr.

Sistema de Oftalmologia Integrada em Porto Alegre
O Sistema de Oftalmologia Integrada, fundado em 16 de janeiro de 2012, é uma Rede de Clínicas voltada exclusivamente à saúde ocular da população.
Nosso esforço é voltado a prestar um atendimento integral baseado em quatro pilares: prevenção, diagnósticos precisos, tratamentos clínicos e cirúrgicos resolutivos.
Atualmente, a Oftalmologia Integrada atende em três grandes polos de saúde, Serra Gaúcha, Porto Alegre e Região Metropolitana, promovendo de modo sustentável e inovador a gestão de recursos na assistência oftalmológica.