É inegável que a cirurgia de catarata evoluiu significativamente. Se antes o principal objetivo era apenas restaurar a visão, hoje a meta é proporcionar qualidade de vida e independência de óculos.
Nesse contexto surgem as lentes intraoculares (LIO) multifocais como uma alternativa avançada às lentes monofocais tradicionais. A lente é um dispositivo implantado durante o procedimento ou troca do cristalino para corrigir a visão de perto, intermediária e longe simultaneamente.
Este texto pretende esclarecer o que são e como funcionam as lentes intraoculares, quais suas vantagens e desvantagens, a sua evolução na área da oftalmologia e qual o perfil ideal de paciente para realizá-la.
O que são e como funcionam as lentes intraoculares multifocais?
Enquanto as lentes monofocais possuem um único ponto de foco (geralmente para longe), as lentes intraoculares multifocais são projetadas com anéis concêntricos que distribuem a luz para criar dois ou mais pontos de foco.
Isso permite que o paciente enxergue de forma clara tanto objetos distantes (como placas de trânsito) quanto objetos próximos (como o celular ou um livro), reduzindo drasticamente a dependência de óculos de grau.
Vantagens: por que escolher a multifocal?
Estudos da Cochrane (a referência mundial em medicina baseada em evidências) indicam que pacientes com lentes intraoculares (LIOs) multifocais alcançam uma visão de perto significativamente melhor do que aqueles com lentes monofocais padrão.

Na prática, isso significa:
- Independência visual: a principal motivação dos pacientes. A maioria consegue dirigir, ler e usar o computador sem auxílio de óculos.
- Visão de longe preservada: a capacidade de enxergar ao longe é equivalente à das lentes monofocais, não havendo perda de qualidade para essa distância.
- Alta satisfação: para os candidatos adequados, a melhora na qualidade de vida é substancial, especialmente para quem leva uma vida ativa e não quer depender de óculos para diferentes tarefas.
Desvantagens e efeitos colaterais das lentes intraoculares multifocais
A tecnologia multifocal não é isenta de contrapartidas ópticas. Para oferecer múltiplos focos, a lente divide a luz, o que pode gerar efeitos adversos:
- Fenômenos disfotópsicos: é a principal desvantagem. Os pacientes relatam maior percepção de halos (círculos ao redor das luzes) e glare (ofuscamento), especialmente durante a noite.
- Redução da sensibilidade ao contraste: a capacidade de distinguir objetos em ambientes com pouca luz ou baixo contraste (como uma roupa preta em um armário escuro) pode ser ligeiramente reduzida em comparação com as monofocais.
A evolução: estratégias híbridas e novas tecnologias.
A ciência não parou. Para minimizar as desvantagens das lentes intraoculares multifocais (como os halos) e melhorar a visão intermediária (computador), novas abordagens estão disponíveis:
- Lentes Intraoculares Híbridas e de Foco Estendido (EDOF): diferentes combinações de lentes em cada olho estão sendo testadas. Um estudo recente demonstrou que a combinação de uma lente intraocular monofocal (para longe) em um olho com uma multifocal (para perto) no outro olho (chamado de “mix-and-match” ou monovisão híbrida) resultou em melhor visão intermediária e maior taxa de independência de óculos, com boa visão estereoscópica (profundidade).
- Lentes Trifocais: versões mais modernas adicionam um foco intermediário (ideal para telas de computador), oferecendo um espectro de visão ainda mais contínuo.
O fator decisivo: o perfil do paciente.
A decisão entre multifocal e monofocal é altamente pessoal. Não existe a “melhor lente” no vácuo, mas a mais adequada para o seu estilo de vida.
Normalmente, a multifocal é indicada para pacientes ativos que praticam esportes, dirigem muito à noite (desde que tolerem os halos iniciais), leem com frequência e desejam ser independentes dos óculos para a maioria das tarefas.

Costuma ser menos indicada para quem dirige extensivamente à noite e é muito sensível ao ofuscamento, pessoas que trabalham em ambientes com luz muito baixa (onde a perda de contraste pode incomodar) ou pacientes com doenças da retina que já comprometem a qualidade visual.
Em resumo, as lentes intraoculares multifocais representam um grande salto tecnológico que efetivamente reduz a dependência de óculos após a cirurgia de catarata. Contudo, o preço a pagar é a possibilidade de experimentar halos e leve perda de contraste. Por isso, a escolha final deve ser feita após uma consulta detalhada junto ao seu oftalmologista, avaliando suas necessidades visuais e expectativas pessoais.
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