Você sabe o que são os pontinhos e filamentos que flutuam na sua visão?

Ao olhar para uma superfície clara e uniforme, como uma parede branca, um céu azul ou uma tela de computador, alguns pontinhos que parecem se mover com o movimento dos olhos, mas com uma certa inércia, "escapando" quando você tenta olhá-los diretamente? Eles são conhecidos como 'moscas volantes'. 
Mulher jovem sentada numa escadaria, segura um par de óculos na mão direita enquanto esfrega os olhos com a outra mão.

Ao olhar para uma superfície clara e uniforme, como uma parede branca, um céu azul ou uma tela de computador, alguns pontinhos que parecem se mover com o movimento dos olhos, mas com uma certa inércia, “escapando” quando você tenta olhá-los diretamente? Eles são conhecidos como ‘moscas volantes’. 

As moscas volantes (ou “floaters”) são um fenômeno visual extremamente comum que se manifesta como pequenos pontos, manchas, filamentos, círculos ou “teias de aranha” que parecem flutuar no campo de visão. Elas são particularmente perceptíveis quando se olha para uma. 

Este artigo pretende esclarecer o que as moscas volantes podem representar em relação à saúde visual. 

O que são, na realidade, os pontinhos brancos?

As moscas volantes estão localizadas dentro do olho, mais precisamente no vítreo. Este é uma substância gelatinosa, transparente e viscosa que preenche a cavidade ocular, dando-lhe volume e forma. É composto principalmente de água (99%), fibras de colágeno e ácido hialurônico.

Ocorre que com o processo natural de envelhecimento, essa gelatina vítrea sofre uma transformação: ela perde parte de sua consistência e se liquefaz. A idade em que esta alteração ocorre varia, mas geralmente situa-se entre 50 e 75 anos. Nesse processo, as fibras de colágeno, antes perfeitamente distribuídas, podem se aglomerar, formando pequenos “fios” e “gruminhos”. 

Rapaz ruivo esfrega os olhos com as mãos após ter enxergado pontinhos brancos na parede branca as famosas moscas volantes.

Esses aglomerados projetam sombras sobre a retina – o tecido sensível à luz que fica no fundo do olho, como uma tela de cinema. São essas sombras que o cérebro interpreta como as moscas volantes.

Causas e fatores de risco

A causa principal e mais comum das moscas volantes é, portanto, a desidratação e desorganização do vítreo relacionada à idade. No entanto, existem outros fatores e condições que podem acelerar ou desencadear o seu aparecimento:

  • Miopia elevada: pessoas com alto grau de miopia tendem a ter um vítreo mais líquido e, consequentemente, desenvolvem moscas volantes mais cedo e em maior quantidade;
  • Trauma ocular: uma pancada no olho pode causar o descolamento ou a condensação de partes do vítreo;
  • Inflamações intraoculares (uveíte): inflamações dentro do olho podem liberar células inflamatórias no vítreo, que são percebidas como floaters;
  • Sangramento no vítreo (hemorragia vítrea): causada por diabetes não controlada, hipertensão, trauma ou rompimento de vasos retinianos, os glóbulos vermelhos no vítreo são percebidos como uma chuva de pontos escuros.
  • Descolamento posterior do vítreo (DPV): este é um evento natural e comum do envelhecimento, em que o vítreo se solta da retina. Esse processo muitas vezes causa um súbito aumento no número de moscas volantes, juntamente com a percepção de flashes de luz (fotopsias). O DPV é geralmente benigno, mas exige atenção.

Quando se preocupar em buscar um oftalmologista? 

Para a grande maioria das pessoas, as moscas volantes são apenas um incômodo ocasional que o cérebro acaba aprendendo a ignorar com o tempo. No entanto, o aparecimento súbito de um grande número delas, especialmente se acompanhado de outros sintomas, pode ser um sinal de alerta para uma emergência oftalmológica. É fundamental procurar um oftalmologista imediatamente se você notar:

  • Aumento súbito e abundante de moscas volantes, como se fosse uma “chuva de fuligem”; 
  • Flashes de Luz (fotopsias) percebidos mesmo com os olhos fechados, que podem indicar tração na retina;
  • Sombra ou cortina escura em qualquer parte do campo de visão (periférica ou central);
  • Perda súbita de visão.

Esses sintomas podem indicar um Rasgo ou Descolamento de retina, condições graves que podem levar à cegueira permanente, se não forem tratadas com urgência.

É possível tratar a condição?  

Na maioria dos casos, as moscas volantes benignas não requerem tratamento. O cérebro se adapta e as ignora parcialmente. No entanto, para os casos em que as moscas volantes são muito densas, numerosas e persistentes, a ponto de prejudicar significativamente a qualidade de vida e a visão, duas opções podem ser consideradas:

  • Vitrectomia: cirurgia invasiva em que o cirurgião remove parte do humor vítreo que contém as opacidades e o substitui por uma solução salina especial.  Com o tempo, o próprio corpo produz um novo humor vítreo. Este tratamento é reservado para casos severos devido aos riscos inerentes à cirurgia, como catarata, infecção e descolamento de retina.  
  • Vitreólise a laser: procedimento a laser que visa fragmentar os grandes aglomerados de colágeno em partículas menores e menos perceptíveis. É uma técnica com indicações muito específicas e resultados variáveis. 
Ilustração sobre humor vítreo e moscas volantes.
Vector illustration showing eye floaters in vision and a labeled cross-section of the human eye highlighting floaters and vitreous body structure

Após os procedimentos, a maioria dos pacientes relata melhora significativa na qualidade da visão, com redução ou eliminação das moscas volantes. O período de recuperação pode variar de algumas semanas a meses. Importante ressaltar que existe a possibilidade de que novos floaters possam se formar com o tempo. Por isso, é fundamental o acompanhamento pós-operatório regular para monitorar a saúde ocular.

Por fim, vale dizer que enquanto as moscas volantes são tipicamente uma parte inofensiva do envelhecimento ocular, qualquer mudança súbita em seu padrão deve ser encarada com seriedade e investigada por um especialista para se descartar patologias oculares graves.

Sistema de Oftalmologia Integrada em Porto Alegre     

O Sistema de Oftalmologia Integrada, fundado em 16 de janeiro de 2012, é uma Rede de Clínicas voltada exclusivamente à saúde ocular da população.

Nosso esforço é voltado a prestar um atendimento integral baseado em quatro pilares: prevenção, diagnósticos precisos, tratamentos clínicos e cirúrgicos resolutivos.

Atualmente, a Oftalmologia Integrada atende em três grandes polos de saúde, Serra Gaúcha, Porto Alegre e Região Metropolitana, promovendo de modo sustentável e inovador a gestão de recursos na assistência oftalmológica.