Pterígio: entenda a “carne no olho” e os avanços no tratamento. 

Pterígio, popularmente chamado de “carne no olho” ou “carninha no olho”, é uma alteração ocular caracterizada pelo crescimento anormal de tecido conjuntivo vascularizado, que se origina na conjuntiva (membrana que reveste a parte branca do olho) e avança rumo à córnea (a região transparente na frente do olho).
Olho masculino visto através de um rasgo num papel branco que cobre o rosto do homem.

Você já deve ter ouvido falar ou conheceu alguém com aquela “carne no olho”, conhecida como pterígio. Assim como diversas outras doenças oculares, ele avança lentamente sob a córnea, podendo provocar, no seu estágio mais avançado, a cegueira. 

Essa alteração fibrovascular afeta mais de 2 milhões de brasileiros, motivo pelo qual trouxemos este artigo para entender o que é o pterígio, quais são as causas para o seu desenvolvimento e qual o tratamento mais adequado na atualidade.

O que é pterígio? 

Pterígio, popularmente chamado de “carne no olho” ou “carninha no olho”, é uma alteração ocular caracterizada pelo crescimento anormal de tecido conjuntivo vascularizado, que se origina na conjuntiva (membrana que reveste a parte branca do olho) e avança rumo à córnea (a região transparente na frente do olho). Em estágios avançados, essa membrana pode atingir o eixo visual, reduzindo drasticamente a acuidade visual e causando astigmatismo irregular.

Causas do desenvolvimento da “carne no olho” 

As causas do aparecimento do pterígio são multifatoriais. Estudos epidemiológicos sugerem maior prevalência em países tropicais e equatoriais devido à alta exposição à radiação ultravioleta (UV) — exatamente a realidade brasileira. Além da exposição solar, outras causas incluem:

  • Idade: raro em crianças e adolescentes, torna-se mais frequente em adultos jovens e idosos;
  • Hereditariedade: há predisposição genética em algumas famílias;
  • Microtraumatismos de repetição (poeira, vento, partículas);
  • Inflamações crônicas da superfície ocular;
  • Distúrbios imunológicos.
Close em olho masculino que apresenta pterígio.

Sintomas do pterígio 

O aparecimento dos sintomas é gradual, podendo levar anos até afetar significativamente a qualidade de vida do paciente. Além do incômodo estético (a mancha esbranquiçada ou avermelhada visível no olho), os principais sintomas incluem:

  • Sensação de corpo estranho (como se houvesse areia no olho);
  • Coceira e ardência;
  • Vermelhidão ocular recorrente;
  • Inflamação e irritação;
  • Lacrimejamento excessivo;
  • Em casos avançados, visão embaçada ou dupla (devido ao astigmatismo induzido).

Tratamento do pterígio: do colírio à cirurgia moderna. 

O tratamento varia conforme o estágio da doença. Quando o pterígio está no início (pequeno, assintomático ou pouco sintomático), o manejo é clínico:

  • Colírios anti-inflamatórios (como os de NSAID ou corticoesteroides de baixa potência por curto prazo) para controlar crises de vermelhidão;
  • Lubrificantes oculares (lágrimas artificiais sem conservantes) para evitar ressecamento e reduzir a irritação mecânica;
  • Proteção UV rigorosa (óculos escuros com bloqueio UVA/UVB, chapéus, bonés) para retardar a progressão.
  • Em casos avançados — quando o pterígio atinge ou ameaça o eixo visual, causa astigmatismo significativo, limita a movimentação ocular ou provoca inflamação incontrolável — o tratamento indicado é o cirúrgico.

Cirurgia de pterígio: o que mudou nas últimas décadas? 

A cirurgia de remoção deve ser bem avaliada, pois procedimentos antigos (simples excisão sem enxerto) causavam alta taxa de recidiva (retorno da “carne” — até 80% dos casos) e frequentemente induziam alterações refrativas, astigmatismo irregular e assimetria corneana.

No entanto, a oftalmologia cirúrgica avançou enormemente no tratamento do pterígio. O padrão ouro atual é:

  • Excisão completa do tecido anômalo sob microscópio cirúrgico, com cauterização delicada dos vasos sanguíneos.
  • Transplante de membrana amniótica ou autoenxerto conjuntival: retira-se uma fina camada da própria conjuntiva do paciente (geralmente da região superior do mesmo olho) e fixa-se sobre a área exposta da esclera após a remoção do pterígio. Isso cria uma barreira física e biológica que reduz a recidiva para menos de 5%.
  • Uso de adesivo biológico (trombina + fibrinogênio) em vez de pontos de sutura — menos inflamação, menos desconforto e cirurgia mais rápida.
  • Aplicação intraoperatória de mitomicina C (agente antimetabólito) em baixíssima concentração, quando indicada, para inibir a proliferação de fibroblastos e evitar novo crescimento.
  • Técnica de “pterígio sem sutura” com adesivo de fibrina — o paciente sai da cirurgia sem pontos, com recuperação mais confortável.

Cirurgias modernas, quando bem indicadas e realizadas por oftalmologista experiente, não costumam causar alterações refrativas significativas — pelo contrário, frequentemente reduzem o astigmatismo pré-existente. 

O período pós-operatório envolve uso de colírios antibióticos, anti-inflamatórios e lubrificantes por algumas semanas. A recuperação visual completa ocorre em média entre 2 e 4 semanas.

Prevenção: o melhor remédio! 

Como sempre reforçamos, o diagnóstico precoce e o acompanhamento frequente com seu oftalmologista são imprescindíveis para evitar consequências severas.

Para prevenir o pterígio:

  • Use óculos escuros com proteção UV diariamente, mesmo em dias nublados;
  • Chapéus, bonés e viseiras reduzem significativamente a exposição solar direta;
  • Evite exposição solar nos horários de pico (das 10h às 16h);
  • Proteção ocular em veículos expostos (bicicletas, motocicletas): use óculos de proteção contra vento e poeira;
  • Ambientes com ar-condicionado ou regiões secas: lubrifique os olhos com colírios sem conservantes para evitar ressecamento crônico, que predispõe à inflamação da superfície ocular.
Homem jovem, turistando,protege-se do sol com o uso de óculos escuros e chapéu.

O pterígio é uma condição benigna, mas progressiva, que pode comprometer seriamente a visão se negligenciada. Hoje, com técnicas cirúrgicas modernas associadas a autoenxertos e adesivos biológicos, o prognóstico é excelente — baixo risco de recidiva, rápida recuperação e melhora da qualidade visual. A prevenção, no entanto, continua sendo a estratégia mais inteligente: proteja seus olhos do sol e mantenha consultas regulares com seu oftalmologista.

Sistema de Oftalmologia Integrada  

Oftalmologia Integral e Resolutiva 

O Sistema de Oftalmologia Integrada, fundado em 16 de janeiro de 2012,  é referência em oftalmologia resolutiva no Rio Grande do Sul. Combinamos presença regional estratégica e expertise técnica de alto nível, garantindo diagnósticos precisos e tratamentos ágeis, inclusive para casos complexos. Tradição, tecnologia e cuidado que sua visão merece!

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