Síndrome do Olho Seco (SOS) – Doença Multifatorial da Superfície Ocular 

A Síndrome do Olho Seco (SOS) é uma doença multifatorial crônica da superfície ocular, caracterizada por uma perda da homeostasia (equilíbrio) do filme lacrimal. Ela acarreta sintomas de desconforto, distúrbios visuais e instabilidade do filme lacrimal, com potencial dano à superfície ocular. 
Linda mulher jovem com cabelos curtos pinga colírio no olho esquerdo.

A Síndrome do Olho Seco (SOS) é uma doença multifatorial crônica da superfície ocular, caracterizada por uma perda da homeostasia (equilíbrio) do filme lacrimal. Ela acarreta sintomas de desconforto, distúrbios visuais e instabilidade do filme lacrimal, com potencial dano à superfície ocular. 

Geralmente, é acompanhada por hiperosmolaridade do filme lacrimal e inflamação da superfície ocular. Longe de ser apenas uma “falta de lágrima”, a Síndrome do Olho Seco é uma condição complexa que envolve a lágrima, as pálpebras, a superfície do olho (córnea e conjuntiva) e seus sistemas nervosos. 

Neste artigo, vamos esclarecer  não só o que é a Síndrome do Olho Seco, mas também suas causas, seus sintomas e os possíveis tratamentos para a condição.

Fisiopatologia: as duas vias principais da Síndrome do Olho Seco.

A compreensão moderna da Síndrome do Olho Seco gira em torno de dois mecanismos principais, frequentemente interligados:

  1. Deficiência aquosa (ou Déficit de Produção): ocorre quando as glândulas lacrimais principais e acessórias não produzem componente aquoso suficiente. Pode ser primária (por exemplo, Síndrome de Sjögren, uma doença autoimune) ou secundária a fatores como idade avançada, uso de certos medicamentos (antidepressivos, anti-histamínicos), doenças sistêmicas e radioterapia.
  1. Evaporação excessiva (ou Disfunção da Camada Lipídica): é a causa mais comum. As glândulas de Meibômio, localizadas nas pálpebras, são responsáveis por secretar a camada lipídica (gordurosa) mais externa do filme lacrimal. Sua função é retardar a evaporação da lágrima. Quando essas glândulas se obstruem ou funcionam mal (Disfunção das Glândulas de Meibômio – DGM), a camada lipídica fica deficiente, e a lágrima evapora rapidamente. Fatores como blefarite (inflamação das pálpebras), rosácea ocular, uso excessivo de telas (que reduz o piscar) e fatores ambientais (ar condicionado, vento, baixa umidade) agravam este tipo.

Um ciclo vicioso se estabelece: a instabilidade do filme lacrimal leva a pontos de secura na superfície ocular, causando hiperosmolaridade (a lágrima fica mais concentrada em sais). Isso desencadeia um processo inflamatório na superfície ocular e nas glândulas, que por sua vez piora a disfunção lacrimal, fechando o ciclo.

Os sintomas vão além da secura! 

Homem jovem, vestindo uma camisa polo vermelha, esfrega os olhos em sinal de desconforto ocular. O ressecamento dos olhos é uma das causas da SOS.

Os sintomas são variados e podem piorar ao longo do dia ou em situações específicas:

  • Sensação de areia, queimação, corpo estranho, ardor;
  • Flutuação ou embaçamento visual que melhora com o piscar;
  • Fotofobia (sensibilidade à luz);
  • Dificuldade para usar lentes de contato;
  • Olhos vermelhos e cansados;
  • Lacrimejamento paradoxal: em resposta à irritação, o olho pode produzir uma lágrima aquosa reflexa, de má qualidade, que não melhora o conforto e escorre.

Diagnóstico – Uma avaliação integrada da condição 

Não há um único teste definitivo. O diagnóstico baseia-se na combinação de história clínica minuciosa e exames:

  • Questionários validados: como o OSDI (Índice de Doença da Superfície Ocular) ou o DEQ-5, que quantificam o impacto dos sintomas na vida diária.
  • Avaliação do filme lacrimal:
  • Tempo de ruptura do filme lacrimal (TBUT): mede a estabilidade da lágrima após uma piscada. Valores baixos (<10 segundos) sugerem evaporação excessiva.
  • Teste de Schirmer: avalia a produção aquosa, mas tem limitações e é menos utilizado rotineiramente.
  • Osmolaridade lacrimal: mede a concentração de sais na lágrima, sendo um marcador objetivo da doença. Valores elevados são altamente sugestivos da síndrome.
  • Avaliação da superfície ocular:
  • Coloração com corantes (Rosa Bengala ou Lissamina Verde): revela áreas de dano às células da córnea e conjuntiva.
  • Meibografia: exame de imagem (usando infravermelho) que visualiza a estrutura das glândulas de Meibômio, mostrando atrofia glandular. É o padrão-ouro para avaliar a DGM.
  • Expressão das Glândulas de Meibômio: avalia a quantidade e qualidade (clareza) do óleo secretado.

Tratamento – Abordagem em degraus e personalizada 

O tratamento é crônico e direcionado à causa predominante:

  • Medidas gerais e ambientais: educação do paciente, pausas no uso de telas (regra 20-20-20), uso de umidificadores, proteção ocular (óculos com proteção lateral), higiene palpebral (compressas mornas e limpeza das margens) e suplementação com ômega-3 (anti-inflamatório).
  • Lubrificação (lágrimas artificiais): são a base do tratamento. Formulações variam (sem conservante, com lipídios, com viscosantes) e a escolha deve ser individualizada. Géis e pomadas noturnas são úteis para casos mais severos.
  • Agentes anti-inflamatórios tópicos: para interromper o ciclo vicioso. Incluem corticoides (uso curto e supervisionado) e imunomoduladores como a ciclosporina ou lifitegrast, que são tratamentos de longo prazo para a inflamação subjacente.
  • Procedimentos para DGM: sondagem das glândulas de Meibômio, terapia de luz pulsada (IPL) e termoterapia (Lipiflow) para desobstruir e reativar as glândulas.
  • Estratégias para preservação da lágrima: Oclusão dos pontos lacrimais (com plugs temporários ou permanentes) para reduzir a drenagem e manter a lágrima no olho por mais tempo.
  • Tratamentos sistêmicos: em casos mais graves associados a doenças autoimunes.
Aparelho destinado à aplicação de luz pulsada para SOS - síndrome do olho seco.

Em resumo, a Síndrome do Olho Seco (SOS) é uma doença inflamatória complexa, cujo manejo requer um diagnóstico preciso do subtipo predominante (deficiência aquosa vs. evaporativa) e uma abordagem terapêutica personalizada e contínua, visando restaurar o equilíbrio da superfície ocular e melhorar a qualidade de vida do paciente.  

Sistema de Oftalmologia Integrada em Porto Alegre     

O Sistema de Oftalmologia Integrada, fundado em 16 de janeiro de 2012, é uma Rede de Clínicas voltada exclusivamente à saúde ocular da população.

Nosso esforço é voltado a prestar um atendimento integral baseado em quatro pilares: prevenção, diagnósticos precisos, tratamentos clínicos e cirúrgicos resolutivos.

Atualmente, a Oftalmologia Integrada atende em três grandes polos de saúde, Serra Gaúcha, Porto Alegre e Região Metropolitana, promovendo de modo sustentável e inovador a gestão de recursos na assistência oftalmológica.